2 de set de 2009

Dimmu Borgir: Game Over?

Notícia boa é aquela que nos pega totalmente desprevenido. Foi o caso dessa... Mesmo que ela seja uma má notícia, na realidade. Fora o choque que proporciona, sendo que ainda tô em choque com a compra da Marvel pela Disney.




A notícia que circulou pela rede nessa terça dia 1º (em especial nos sites de Heavy Metal e no Twitter) foi de que Mustis (Øyvind Mustaparta - nome real) e Vortex (Simen Hestnæs) foram demitidos da Dimmu Borgir. Mustis, exímio tecladista e arranjador, e Vortex, baixista competente além de vocalista bastante respeitado na cena Black Metal, saíram por motivos ainda um tanto obscuros — principalmente pelo desencontro de informações 'oficiais'.

De acordo com nota divulgada segunda-feira à noite no seu Myspace, Mustis diz ter sido demitido depois de reivindicar direitos sobre algumas músicas da Dimmu desde que se integrou à banda, em 2000. Afirma que muito da sonoridade de álbuns como Puritanical Euphoryc Misanthropia e In Sorte Diaboli não teria sido a mesma se os seus arranjos não tivessem sido feitos. A questão se refere a créditos quanto aos autores das músicas nos encartes dos discos, nos quais omitiram seu nome e nunca sequer lhe deram qualquer
explicação a respeito.

Quanto à saída de Vortex, não se teve nenhuma manifestação oficial do sujeito a respeito do caso. Em contrapartida, a própria banda divulgou em seu site a saída dos dois integrantes, sem citar motivos ou dar maiores explicações. Também enfatiza que “a força criativa” da Dimmu Borgir ainda se mantém viva e “talvez mais forte que nunca”, e que já estão em preparativos para um novo álbum, a ser lançado em 2010.




Pra quem não é muito ligado no universo do metal extremo, a Dimmu Borgir é uma das bandas de maior reconhecimento e sucesso da história do Black Metal, tendo atingido um patamar de prestígio comparável às gigantes do cenário musical, em especial no cenário europeu. Surgida em meados dos anos 1990, a banda era, até 1997, apenas mais uma dentre tantas outras bandas norueguesas que brotaram na Europa durante o movimento chamado Norwegian Black Metal.

Até que, em 1997, é lançado o álbum Enthrone Darkness Triumphant, no qual a banda mescla com maestria a sonoridade over pesada e suja do Black Metal com a harmonização sinfônica. O resultado foi tão surpreendente quanto inovador. Desde então, a 'estética' musical da banda se aprofundou nesse nicho criado por eles mesmos, resultando em álbuns interessantíssimos como Spiritual Black Dimensions, Death Cult Armaggedon e os supra-citados In Sorte Diaboli e Puritanical Euphoric Misanthropia.



É bem verdade que aqui no Brasil, a Dimmu Borgir não usufrui nem de meio por cento do reconhecimento e fama de que desfruta na Europa — fruto, logicamente, da falta de apoio e divulgação da grande mídia. Mas na Europa e Japão, a banda é tratada como Gigante no cenário Heavy Metal, comparada a grupos de indiscutível sucesso como Blind Guardian, Nightwish, Rammstein, Helloween e Accept.
O que na verdade preocupa é a mudança de postura que a banda teve nos últimos anos. Se esses problemas com o Mustis vêm desde 2001 (ano de lançamento do Puritanical), é de se supor que o mesmo tenha discutido tal questão com os 'donos' da banda — Silenoz e Shagrath — algumas vezes. Ainda assim, algumas perguntas ficam no ar: demitiram os dois pelos mesmos motivos? Mustis não estaria apenas reivindicando seus direitos de criação? Quem realmente manda na banda — Shagrath, Silenoz ou um empresário? Ou indo ainda mais longe: como fica agora o projeto Dark Fortress, uma História em Quadrinhos baseada nas letras das músicas da banda e que seria protagonizada pelos seis integrantes regulares — Shagrath, Silenoz, Galder, Mustis, Vortex e Hellhammer — em seis volumes?


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De concreto, só o fato de que, na mesma medida em que a banda acumulou prestígio mundo afora, Shagrath tornou-se piada pronta entre os True Black Metals: casou-se com Christina Fulton, ex-mulher de ninguém menos que Nicholas Cage, e que participou no fim de 2008 de um reality show nos Estados Unidos. Lógico que só isso não seria motivo de chacota, mas ambos casaram-se numa cerimônia cristã, comandada por um pastor presbiteriano. Logo ELE, Shagrath, o cara que fez a Cruz sangrar uma porrada de vezes e é sempre visto com um crucifixo invertido no peito. Ok, “expressão artística”, diriam os incautos, e concordo. Mas que gera um paradoxo engraçado, não há o que discutir.











De qualquer modo, a saída dos dois deixa um rombo imensurável na banda. Mustis pode tranquilamente ser apontado como o principal responsável por ter trazido a Dimmu ao encontro de um público que normalmente seria avesso à sonoridade do Black Metal. Ao inserir arranjos e harmonizações suaves em meio ao peso ensurdecedor de guitarras estraçalhantes, batidas de pedais duplos e vocais guturais, fez com que a banda multiplicasse seu público e seus admiradores, não se limitando apenas ao universo underground do Black Metal.


Da mesma forma, Vortex trazia lampejos melódicos à sonoridade musical do grupo, em virtude de seu vocal 'limpo' e, por que não dizer, épico. Seus duetos com Shagrath tornaram-se uma característica tão marcante na Dimmu Borgir que, a partir de agora, é de se esperar que a banda faça uma curva à esquerda e retorne às suas origens mais densas e sujas, da sonoridade do início dos anos 90. Certamente os fãs mais true aprovarão essa provável retomada às origens. Mas não se pode deixar de lamentar a inestimável perda que será a ausência desses dois à frente da banda:









Espero que Shagrath, Silenoz e Galder encontrem, senão substitutos à altura, pelo menos um caminho saudável pro destino do grupo.


[Piada besta: a "The Fired's Band" enfim já tem um tecladista e segunda voz/baixo. Guitarrista (Dave Mustaine) e vocal feminino (Tarja Turunen) já estavam à disposição faz tempo ;P ]

Fonte: Whiplash.

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